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Em Salvador, estudantes do CPM Lobato transformam sentimentos e experiências em obras de arte
Sentimentos, sonhos, dúvidas e diferentes formas de enxergar o mundo ganharam cores, traços e formas nas obras produzidas por estudantes do Colégio...
06/10/2026 18h37
Por: Redação Fonte: Secom Bahia

Sentimentos, sonhos, dúvidas e diferentes formas de enxergar o mundo ganharam cores, traços e formas nas obras produzidas por estudantes do Colégio da Polícia Militar da Bahia (CPM), unidade Lobato, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A partir desta terça-feira (6), a produção de 63 alunos dos ensinos fundamental e médio pode ser conferida na exposição “Um Olhar Sobre Nós”, no Museu Eugênio Teixeira Leal, no Pelourinho. A exposição segue aberta à visitação até 30 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, com entrada gratuita.

A mostra reúne pinturas, desenhos, colagens e técnicas mistas produzidas pelos jovens durante as aulas de artes. A proposta é utilizar a expressão artística como uma ferramenta de reflexão e estimular os estudantes a transformarem em imagens sentimentos, pensamentos, descobertas e experiências que nem sempre encontram espaço para serem expressos em palavras.

O projeto de arte chegou à nona edição, começou em 2016 e teve uma interrupção durante a pandemia. Nesta edição, iniciada no começo do ano letivo, os estudantes desenvolveram os trabalhos ao longo do ano a partir de uma proposta inicialmente voltada à perspectiva de futuro. A cada edição, a escola define um novo tema; entre os já trabalhados estão os 40 anos do Axé e os 100 anos da Semana de Arte Moderna.

Aprendizado e interação

De acordo com o professor de artes Paulo André, o desenvolvimento das obras envolve um processo gradual, no qual alguns estudantes inicialmente demonstram resistência, mas passam a se envolver à medida que acompanham os trabalhos dos colegas. A experiência permite aos alunos desenvolverem habilidades manuais, além de aprimorar as próprias técnicas durante a produção das obras. “Eles começam a contemplar o seu trabalho, desenvolver o senso crítico também, se questionar se está bom ou se está ruim”, destaca o professor.

A diretora pedagógica do colégio, Isa Barbosa, explica que a seleção das obras ocorre após o desenvolvimento dos trabalhos em sala, com os quadros escolhidos passando por uma etapa de acabamento antes da exposição. Segundo ela, o projeto também promove a interação entre estudantes de diferentes séries e é acompanhado por atividades de redação. “Eles começam a interagir e criar laços a partir do projeto. Isso, para a gente, é muito importante", disse a diretora.

A estudante e artista Raíssa Evangelista dos Santos escolheu representar a própria imagem na obra “Retrato de Mim”, produzida a partir de referências do expressionismo. No autorretrato, a jovem utilizou cores fortes e traços marcantes para abordar também a relação com a própria aparência e o processo de aceitação do cabelo, que, segundo ela, foi uma questão de insegurança durante a infância.

“É uma forma de eu mostrar como eu me vejo e além de tudo passar por esse processo de aceitação. Uma forma de eu representar a minha autoestima, a minha pessoa e, ao mesmo tempo, retratar que o meu cabelo é algo bonito e que eu não devia ter vergonha disso. Por isso que eu escolhi me autorretratar com esses traços do movimento expressionista".

Repórter: Matheus Calmon/GOVBA