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Estudo do MIT sobre São Paulo aponta que acesso universal ao saneamento impacta na geração de empregos e melhora do desempenho escolar
Levantamento da MIT Technology Review com a Sabesp mensura os impactos positivos da chegada de serviços de água e esgoto para toda a população; inv...
16/06/2026 07h20
Por: Redação Fonte: Secom SP

Uma pesquisa da MIT Technology Review, produzida a partir do case da Sabesp em São Paulo, aponta que o acesso ao saneamento básico traz benefícios sociais e econômicos a diversos segmentos da sociedade, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento do país. O levantamento reúne estudos, entrevistas e análises sobre os efeitos esperados do plano de expansão dos serviços de água e esgoto no estado. Desde 2024, a desestatização da Sabesp, realizada pelo Governo de São Paulo, permitiu ampliar em 120% o volume de investimentos em saneamento básico.

Só em 2025, São Paulo recebeu o maior investimento da história para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado. Foram R$ 15,2 bilhões aplicados, ante R$ 6,9 bilhões do ano anterior. O plano de investimento da Companhia prevê o montante de R$ 260 bilhões até 2060 nos mais de 370 municípios atendidos. Isso traria, segundo o levantamento, um impacto estimado de R$ 330 bilhões no PIB brasileiro no mesmo período.

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Um dos números mais relevantes está na frente ambiental. A Sabesp projeta que o avanço da universalização, combinado à adoção de rotas tecnológicas menos emissoras nas estações de tratamento de esgoto, poderá reduzir em até 9,1 milhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2050.

Para dimensionar esse impacto, as emissões do município de São Paulo em 2024 somaram 14,70 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, segundo a plataforma SEEG, do Observatório do Clima. A redução projetada pela Sabesp corresponde, portanto, a cerca de 62% das emissões anuais da capital paulista, uma comparação de ordem de grandeza que ajuda a mostrar o peso climático do saneamento.

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O saneamento como ativo climático

Neste sentido, o saneamento atua como um vetor de mitigação climática. O ponto central é que o esgoto não coletado ou não tratado também emite gases de efeito estufa, mas o faz de maneira difusa, em rios e corpos d’água, sem possibilidade de controle operacional. Ao levar esse esgoto para dentro das estações de tratamento, a emissão passa a ser mensurável, gerenciável e passível de redução por meio de tecnologia.

Segundo estudo técnico, os efluentes representam 88% das emissões de gases de efeito estufa da Sabesp. Por isso, a estratégia climática da companhia passa diretamente pela expansão do tratamento de esgoto e pela modernização das maiores ETEs da Região Metropolitana de São Paulo, como ABC, Barueri, São Miguel, Suzano e Parque Novo Mundo, que concentram cerca de 60% das emissões associadas ao tratamento de esgoto.

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Além da redução de até 9,1 milhões de toneladas de CO₂e até 2050, a Sabesp estima que já evitou 78,6 milhões de toneladas de CO₂ desde o início de suas atividades até 2022 e que esse total poderá chegar a 227 milhões de toneladas até 2050, em comparação com um cenário sem atuação da companhia.

Tecnologia para acelerar uma meta histórica

A inovação aparece como condição para cumprir a meta de universalização até 2029, quatro anos antes do prazo nacional previsto pelo Marco Legal do Saneamento. Um dos exemplos é a adoção da tecnologia de lodo granular na ETE Parque Novo Mundo. A solução foi escolhida porque modelos tradicionais não seriam suficientes em custo ou prazo.

A medição inteligente também é apontada como uma frente estratégica. A Sabesp firmou contrato de mais de R$ 4 bilhões para desenvolver, ao longo do tempo, o maior parque de medição inteligente de água do mundo, voltado inicialmente a consumidores da cidade de São Paulo e de São José dos Campos.

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Empregos, renda e produtividade

O estudo “Impactos Socioeconômicos da Desestatização da Sabesp” estima que os investimentos da companhia terão influência direta no PIB brasileiro até 2060, gerando em torno de 4,6 milhões de empregos.

O efeito vai além da construção de redes, estações e obras de infraestrutura. O saneamento tem impacto sobre a renda e a produtividade da população. Um dos dados mais fortes é a diferença média de rendimento entre pessoas com e sem acesso ao saneamento básico: R$ 3.359 para quem vive em áreas atendidas, contra R$ 2.103 para quem não tem acesso.

A falta de saneamento amplia a exposição a doenças, aumenta faltas ao trabalho, reduz a produtividade e afeta especialmente trabalhadores informais, que muitas vezes deixam de receber quando não conseguem trabalhar. A universalização, portanto, não atua apenas como obra pública, mas como base para uma economia mais produtiva e menos desigual.

O efeito invisível na educação

Outro destaque do estudo é a relação entre saneamento e desempenho escolar. Segundo a publicação, jovens que vivem em domicílios com banheiro próprio obtêm notas superiores no ENEM, especialmente em matemática e redação. O dado ajuda a mostrar como a universalização afeta dimensões que normalmente não são associadas ao setor.

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A explicação passa por saúde, frequência escolar e ambiente de estudo. Crianças e adolescentes expostos a doenças de veiculação hídrica faltam mais às aulas, têm maior dificuldade de concentração e convivem com condições ambientais que prejudicam o aprendizado.

De acordo com os dados do Painel Saneamento Brasil, alunos com acesso a saneamento em casa têm escolaridade média de 8,49 anos, contra 5,31 anos entre aqueles sem acesso. A diferença reforça a ideia de que água tratada e esgoto coletado não são apenas serviços urbanos, mas instrumentos de mobilidade social.

Saúde pública e economia para o Estado

A saúde é o impacto mais direto da universalização. Doenças como diarreia, leptospirose e dengue estão associadas à falta de saneamento e geram custos para o sistema público. A Organização Mundial da Saúde estima que, para cada US$ 1 investido em água e saneamento, há economia de US$ 4,3 em custos de saúde no mundo.

No caso do Rio Pinheiros, usado como exemplo de impacto mensurável, os benefícios sociais e econômicos da expansão do saneamento somaram cerca de R$ 25 bilhões, superando em quase R$ 8 bilhões os custos estimados no mesmo período. A experiência é apresentada como referência para o Integra Tietê, programa que busca acelerar a despoluição da bacia do Alto Tietê e ampliar a coleta e o tratamento de esgoto em escala metropolitana.

Investimentos em saneamento

A expansão dos serviços ocorre em meio ao aumento dos investimentos da Sabesp. Em 2025, foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela companhia, valor 120% maior em comparação ao ano anterior. Os investimentos têm como foco a ampliação da cobertura de saneamento e a melhoria dos padrões de qualidade dos serviços.

A coleta e o tratamento de esgoto chegaram a mais de 4,3 milhões de pessoas com a expansão de ligações da Sabesp. O cumprimento das metas de acesso à água, coleta e tratamento de esgoto alcançaram, respectivamente, 87%, 77% e 71% ao fim do primeiro trimestre de 2026.

Ampliação da Estação de Tratamento de Água – ETA Embu-Guaçu, um dos investimentos da Sabesp em SP. Foto: Divulgação/Governo de SP